sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O técnico.

No futebol a relação de subordinação entre o jogador e o técnico deve ser da forma mais harmônica possível.

Existem bons exemplos nas últimas décadas de equipes que foram vencedoras e que seus sucessos estavam lastreados por esta boa relação, como o São Paulo de Telê Santana e de Murici Ramalho, o Cruzeiro de Luxemburgo, e o Palmeiras de Felipão (a primeira passagem nos anos 90, não esta segunda de 2012).

Agora vamos trazer esta situação para nossa realidade. Jogo do Verdão contra o Itagüi, cerca de 10 minutos do segundo tempo. Falta em dois lances na entrada da área, local que sabemos que para nosso camisa 10 Alex é mais do que pênalti. Mas para a surpresa de todos, Alex rola para Chico (aquele que entregou o gol do adversário) bater em cima da barreira. Neste momento toda a torcida, e me incluo também, se perguntou:

- Por que o Alex não bateu?

Além da indignação geral, quem também se sentiu desconfortável com o lance foi o até então técnico Marquinhos Santos. Ele, assim como o restante da torcida, estava desconcertado pela opção do time em fazer com que o zagueiro que acabara de falhar no gol adversário batesse uma falta tão importante. Foi como no jogo de vôlei quando o ponteiro ou o central ataca uma vez e fica no bloqueio, e o levantador na jogada seguinte manda a bola de novo para o mesmo jogador para “dar moral”. É óbvio que isto na sua grande maioria das vezes isto não dá certo, como não deu no lance da partida de terça.

E o que isto mostrou no final das contas? Que o técnico Marquinhos Santos, apesar de ser um cara legal, que todo mundo gostava e até defendiam em seus discursos, tinha perdido a mão do grupo, a ponto de que nem as coisas mais óbvias serem executadas dentro de uma lógica.

Pensando agora no futuro técnico que ainda não foi contratado, o momento é de trazer um profissional que não tenha somente conhecimento técnico ou tático do jogo, mas que seja alguém que faça com que o grupo absorva rapidamente sua ideologia de trabalho e a coloque em prática. O problema é que mercado atual está cheio de profissionais que somente estão ali pelo que fizeram no passado, mas pararam no tempo em relação ao jogo, e já não conseguem sequer controlar um grupo de jogadores para que façam o que idealizam.

Outro dificuldade para a contratação de um técnico atualmente é causado pelo grandes devedores do futebol brasileiro, os times do RJ. Há tempos os clubes cariocas oferecem salários muito acima do aceitável para técnicos de futebol, o que aliás é compreensível, pois se torna a única alternativa que convençam estes profissionais a trabalharem lá. No entanto, esta atitude acaba inflacionando o mercado, dificultando a contratação de técnicos por clubes que trabalham de forma mais conservadora.

Acredito que o Verdão dentro de sua filosofia atual tenha dificuldades em encontrar um profissional que agrade a torcida e o caixa do clube. Provavelmente uma das partes será penalizada em detrimento da outra. Mas são os tempos modernos, que enquanto forem regidos pelas regras que aí estão, obrigarão os clubes que trabalham de forma séria a gastarem mais para terem profissionais qualificados (ou nem tão qualificados assim).

Aguardamos os próximos capítulos desta novela, ansiosos pela escolha de um técnico que devolva ao Verdão a marca de vencedor que se perdeu nestas últimas rodadas, mas que pode ainda ser resgatada. Trabalho sério e comprometimento do grupo serão vitais para esta retomada, algo que o clube e acima de tudo a torcida esperam.


SAV

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